Pensão Agrícola: uma casa de campo à beira da praia

Pensão Agrícola

Haverá coisa melhor num dia de chuva e frio do que recordar dias cheios de sol a sul do país? É muito provável que sim, mas de qualquer forma, para recomeçar, apresento-vos a Pensão Agrícola.

À primeira vista, aposto que pensam no Alentejo, mas estamos no Algarve. O que é curioso — estive duas vezes de férias no Algarve, em criança, e visitei-o três vezes em adulta, em passagens breves e sempre com a ideia errada na cabeça. O Algarve não são só os prédios feios à beira mar, as praias apinhadas de gente ou os néons dos bares de Albufeira, mas eu demorei bastante tempo para o perceber.

Em 2015, no entanto, resolvi confiar em quem o conhecia melhor do que eu e agendar duas semanas de férias por lá, durante o mês de julho. Uma no Sotavento e outra no Barlavento. E na mesma altura em que assentava arraiais no Ozadi, ali muito perto, no Sítio do Valongo, em Conceição de Tavira, a Pensão Agrícola abria as portas pela primeira vez ao público.

pensão agrícola

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Uma casa longe de casa

A Pensão Agrícola cheira a flores do campo em tons pastel, alfarrobeiras carregadas, com o som de cigarras como fundo. A Pensão Agrícola cheira a si mesma — das salas à roupa da cama — porque é perfumada por uma essência para si criada pelo Lourenço Lucena. Mas cheira também a bolo acabado de fazer. E a música que entoa é sempre serena e sempre agradável. Podem estar 40º ou 10º e apetece sempre aninharmo-nos a ler num dos seus recantos. Ou beber um copo de vinho tinto pela noite.

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E porque é que parece que estamos em casa? Posso estar mal habituada, mas as minhas estadias passaram sempre pela suite Chaminé, que fica dentro da casa principal. O que significa que abro a porta, passo por uma antecâmara e estou na sala de jantar. Dou três passos e entro na sala de estar, com o sofá à frente da lareira onde me serviram aguardente de medronho e mel na primeira noite que lá passei. Se quiser aproveitar a brisa da manhã para um passeio de bicicleta, estão sempre duas pasteleiras disponíveis no pátio. E se à noite quiser o tal vinho, basta ir à cozinha e escolher uma garrafa. E, como já disse, cheira sempre a bolo acabado de fazer, como na minha infância, em casa dos meus pais.

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A Pensão Agrícola tem apenas 6 quartos, o que a torna ainda mais especial. É uma casa de campo, mas a 2 quilómetros da praia. Tem carácter, tem história. É real. É feita de pessoas — do Rui e o Nuno, que não tinham experiência nenhuma em turismo, mas sabem tão bem receber os seus hóspedes. Da Bárbara e da Maria, que nos servem o pequeno-almoço todos os dias.

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E chegámos a um ponto importante. O pequeno-almoço. O pequeno-almoço é também um dos motivos que nos faz felizes por passar mais um dia na Pensão Agrícola. Servido no pátio, por baixo de uma pérgula de palhinha, e com flores silvestres a acompanhar, é um festival de cores e gulodices — não há como escolher entre torradas de pão de alfarroba, croissant prensado com queijo (ou nutella!), iogurte com granola ou fruta da época com raspas de lima. Come-se tudo, claro. E não nos esqueçamos que estamos no Algarve — com laranjas tão doces, como é que vamos dizer que não a mais um copo de sumo natural?

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As árvores, o tanque e a história da Pensão Agrícola

A herdade pertenceu à família de Silva Gomes, que a ofereceu como presente de casamento à sua única filha em 1920. A atividade agrícola manteve-se até 1970, altura em que fechou portas, com móveis, fotografias e livros em si guardados.

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O Rui e o Nuno, engenheiro civil e cirurgião oftalmologista, respetivamente, encontraram-na ao abandono e foram descobri-la: os donos, como a comprar, a sua história e como fazer dela um turismo rural tão catita.

A decoração é toda deles e aproveita muitos dos bens originais — o que ajuda à tal sensação de estarmos em casa —, mas a reconstrução contou com a ajuda do Atelier Rua. Neste momento é uma casa rodeada de figueiras, laranjeiras, amendoeiras, medronheiros e alfarrobeiras, camas de ferro com almofadas e uma casinha para os dois burros — o Ernesto e a Júlia.

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Tem também um tanque. Não é uma piscina, é um tanque. Um tanque com a dimensão perfeita para um mergulho e duas braçadas. E um degrau onde nos podemos sentar a ler dentro de água. Perfeito, não é?

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Quando ir e o que fazer na Pensão Agrícola

Qualquer altura do ano é boa para ir visitar a Pensão — menos os meses de inverno, quando está fechada. Nós descobrimos-la no início deste ano, quando andávamos à procura de um sítio bonito para nos acolher numa escapadinha de fim de semana e tropeçámos num artigo do Casal Mistério. Passados poucos minutos estávamos a reservar quarto para o primeiro fim de semana de março. Acho que foi amor à primeira vista — tanto que regressámos para uma semana a meio de julho.

É o Algarve e o tempo é sempre bom.

Levem livros, meditem, ouçam música, descontraiam, andem de bicicleta, façam caminhadas. Não há nada para vos incomodar na Pensão.

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Mais fotografias em www.flickr.com/photos/silviacdias
Reservas e mais informação em www.pensaoagricola.com
Sugestões para almoços e jantares:

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